Esta página é para divulgação dos eventos do Conselho Regional e das Fraternidades que compõe este Regional. Sejam todos bem vindos! Paz e bem!

11 maio 2018

Aspectos da vida fraterna e missão evangelizadora



Frei Almir Guimarães - Assistente Espiritual Regional Sudeste 2 RJ/ES

Tenho diante dos olhos o documento da Ordem dos Frades Menores (2017) Ite, nunciate…, sobre as novas formas de vida missão na Ordem do Frades Menores. Transcrevemos as reflexões sobre a vida fraterna e a missão evangelizadora.

Vida fraterna

Viver o dom do irmão comporta:

  • uma relação com os outros encharcada de humildade, sem procurar ter razão com suas próprias ideias, antes de qualquer coisa, por melhores que sejam, e muito menos impô-las aos outros irmãos. O espírito fraterno pressupõe uma mútua e recíproca acolhida que não se baseia no domínio de um irmão sobre o outro. A humildade nas relações permite que haja uma descentralização de si para dar mais espaço ao Senhor e a uma melhor disposição à acolhida do irmão diferente de mim;
  • o gosto pela escuta recíproca, pela partilha de vida e pelas comunicações fraternas que favorecem o crescimento da comunidade e de cada um dos irmãos. Um desejo de construir junto com os outros, na dinâmica da busca do Reino de Deus que se chega a conhecer no cotidiano. Uma alegria que se reconhece num modo simples de viver relações justas e sadias, consigo mesmo, com os outros e também com os mais pobres. O alegre saborear a beleza do perdão, dado e recebido, através da simples e franca correção fraterna;
  • a comunhão com os irmãos da própria Fraternidade, da Província e da Ordem, e com a Igreja em geral. Uma relação sadia e equilibrada com a autoridade, seja quando esta é exercida, seja na condição de obedecer;
  • uma organização tal que permita ao frade doar sua própria vida para fora como se estivesse permanecendo na mesma fraternidade, no respeito aos tempos de oração, de silêncio, de convívio, de atividades e de encontros.

Missão evangelizadora

A missão evangelizadora, realizada sempre como Fraternidade e como íntima necessidade de ir e anunciar aos outros tudo o que Senhor nos deu comporta:

  • o desejo ardente de testemunhar aos nossos irmãos e irmãs do mundo aquilo que nos faz viver, para que possam beber na mesma fonte; uma real disponibilidade de partir em missão; um profundo desejo de anunciar o Evangelho e o apelo para vivencia-lo. É a audácia evangélica que nos impulsiona a viver esta aventura no seguimento de Cristo; uma relação viva com Cristo que se encarna na mútua e benevolente ajuda fraterna;
  • uma adequada preparação antes da missão, assim como uma proveitosa colaboração entre os diversos protagonista
  • a entrega e avaliação regular de nossas jornadas diante de Deus e sob o olhar benévolo dos próprios irmãos. A partilha do Evangelho, depois de um tempo de atividade intensa, é um meio formidável para este restituição; isto permite uma tomada de distância daquilo que é vivido e um recentrar-se em torno da Palavra de Deus, prontos para acolher aquilo que o Senhor diz;
  • a importância da benevolência nos relacionamentos recíprocos, assim como da paz e da alegria profunda que vêm de Deus e que habita o frade em missão;
  • uma gestão “equilibrada” do próprio tempo, entre a contemplação, a vida comunitária, as atividades, os estudos e as relações humanas, de modo que o frade nunca seja “engolido” pelas atividades a ponto de não estar mais disponível para ninguém, como também para que não caia no excesso oposto, na perda de tempo e no ócio.
Ite, nuntiate…, 45-46.

Fonte: franciscanos.org

09 maio 2018

REFLEXÕES SOBRE A DIMENSÃO POLÍTICA DO FRANCISCANISMO - 13


No post de hoje vamos acompanhar mais trechos do sermão de São Bernardino de Sena aos políticos e ao povo da República de Sena. Trata-se do Sermão nº XVII, onde ele mostra “como deve administrar a justiça quem recebe um cargo público”.

OS MAUS ADMINISTRADORES – O povo deve conhecer os maus administradores para negar seu voto aos indignos. Quando nos governantes existem vícios “a coisa vai mal. Imagine você como pode andar a justiça! Sem dívida neste caso a justiça está morta. Então precisaria fazer o seguinte, e dirigindo-se aos coveiros, exclama: Ó coveiros, quando vocês tomam conhecimento que um homem público tem estes vícios, podem corajosamente comunicar a todos: A justiça está morta”. E repete doze vezes que os homens viciosos no poder são funestos e matam a República.


OS AMBICIOSOS – O ambicioso para subir usa todos os meios e não podendo aproveitar dos poderosos, espolia o pobre. “O ambicioso é aquele que procura dar a culpa sempre a quem tem razão, a quem não tem poder para se defender porque é pobre. Os ambiciosos são homens iníquos que estrangulam a justiça. E as por que eles agem assim? Para se tornarem sempre mais poderoso em detrimento dos que nada podem contra eles”.


O ADULADOR - O que fazer com este tipo de político? Ele nada vale. “Não lhe prestem atenção. Vocês tem o direito de saber toda a verdade, de ver e tocar com suas mãos” (Naquele tempo o povo tinha o direito de fiscalizar os homens públicos e os aduladores eram facilmente desmascarados).


OS AGIOTAS – Os que praticam este vil comércio nunca devem ser eleitos. "Eles se assemelham aos gatos. O gato fica esperando perto de um buraco onde ele sabe que vai sair o rato. E ali fica à espreita o dia inteiro e, apenas o ratinho passa, ele o agarra e o devora. Assim é o avarento que quer ser eleito. Ele vai de casa em casa, mostrando-se amigo e arrancando votos”, mas depois de eleito, continua o seu o trabalho de sempre: roubar e devorar o povo.


Frei Vitório Mazzuco


Continua...

Fonte: carismafranciscano.blogspot.com

04 maio 2018

REFLEXÕES SOBRE A DIMENSÃO POLÍTICA DO FRANCISCANISMO – 12


No post anterior, falávamos a respeito de São Bernardino de Sena. Hoje vamos apresentar aqui um resumo de um sermão que ele dirigiu aos políticos e ao povo da República de Sena. Trata-se do Sermão nº XVII, onde ele mostra “como deve administrar a justiça quem recebe um cargo público”.

AMAR A JUSTIÇA – O político deve amar a justiça e seguir a reta consciência. Nunca deve apoiar-se nas leis, que podem ser injustas e que precisam ser mudadas. “Muitos juram observar os estatutos do próprio cargo. Você jurou e o que jurou é danoso ao povo? Seu juramento não vale. “In malis promissis rescindi fidem”. Promessas mal feitas e má fé são causas de rescendências. Se você prometeu cumprir algo que a consciência julga injusto, rompa com o juramento e não faça coisas contrárias à sua consciência. E tenha confiança no Senhor”. O que se deve dizer de certas leis que só provocam injustiças e oprimem inocentes? “Há pessoas – continua Bernardino – que não precisam nem de leis nem de estatutos, porque levam escrita na mente a lei do Evangelho, a lei de Deus e só sabem praticar a justiça. Estes são os que realmente amam a justiça” e merecem ser eleitos. A administração pública, de fato exige amor à verdade e à misericórdia, porque no encontro das duas se gera a paz. O pregador franciscano sabe como é difícil atuar a justiça nos meios públicos, mas o bom administrador nunca deve desanimar diante da corrupção que se alastra. Seu esforço e sua perseverança serão recompensados e ele ouvirá as palavras evangélicas: “Venham benditos de meu Pai, recebam o Reino dos céus...porque vocês amaram a justiça, mesmo quando não puderam atuá-la como queriam e foram odiados pelo mundo e amados, porém, por mim...”

ATUAR COM JUSTIÇA SOCIAL – São Bernardino de Sena foi um grande reformador social, que colocou em relevo os princípios fundamentais da economia, já conhecidos pela Escolástica: as riquezas tem caráter instrumental e não final, social e não egoístico; consequentemente é necessário ter moderação e honestidade na aquisição e no uso dons bens. Neste ponto a responsabilidade dos governantes, dos juízes e dos políticos é muito grande.

Sob o impulso da pregação bernardiniana, muitas Repúblicas Italianas daquele tempo introduziram reformas políticas e sociais na sua legislação, inspirando-se nos princípios do Evangelho. A preocupação de São Bernardino era formar a consciência dos homens públicos e dos eleitores. Ele sempre falava bem claro a todos: “Eu sei muito bem que aquilo que você possui não é seu; foi Deus que deu tudo a todos para ir ao encontro das necessidades de toda humana criatura. Não é portanto da pessoa, mas para as necessidades de todos. Se você tem muito, não precisa, não distribui e morre, você vai direto à casa quente”

03 maio 2018

REFLEXÕES SOBRE A DIMENSÃO POLÍTICA DO FRANCISCANISMO – 11


O texto que vamos abordar nos próximos posts fala do santo franciscano São Bernardino de Sena. Quem foi São Bernardino de Sena? Ele nasceu em Massa Marítima no ano de 1380. Muito cedo ficou órfão de pai e mãe e foi criado por duas tias. Estas tias foram muito importantes em sua vida porque souberam transmitir a Bernardino um cristianismo bem genuíno, sem nenhuma beatice e com lucidez crítica. Ele se tornou um jovem muito sadio, amante da liberdade, exigente e responsável. Frequentou com muito proveito a famosa Faculdade da República de Sena, uma das mais importantes de seu tempo. Aos 22 anos conhece a vida de São Francisco de Assis e fica fascinado pelo Poverello de Assis. Entrou de um modo livre e bem decidido para a Ordem dos Frades Menores.


Viveu num Eremitério Franciscano e dali saiu para a pregação itinerante. Sonhava renovar a sociedade de então. Tinha uma boa cultura teológica, vasta e segura, um dom extraordinário de eloquência, que fez dele um grande evangelizador popular. Saiu pela Itália pregando a devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, e junto com esta pregação sempre um alerta a uma sociedade que ele considerava muito pagã. Muito interessante a sua pregação dirigida ao povo e aos governantes sobre temas sociais e políticos. A sua vida de pregador itinerante iniciou em 1418 e por 26 anos ele percorreu a Itália até o dia de sua morte, em 20 de maio de 1444. Foi canonizado seis anos após a sua morte.


Vamos apresentar aqui um resumo de um sermão que ele dirigiu aos políticos e ao povo da República de Sena. Trata-se do Sermão nº XVII, onde ele mostra “como deve administrar a justiça quem recebe um cargo público”. Na República de Sena havia eleições livres e o povo tinha o direito de conhecer seus políticos, para julgar a sua idoneidade e eliminar os incapazes e os indignos. Um sermão do século XIV, mas muito necessário para os dias de hoje. Com a apresentação deste texto, quero responder também aos que dizem: “Vocês frades TL, são muito metidos na política!”. Não somos metidos em política, até porque em nosso país ela não existe com o seu verdadeiro sentido de ser um arranjo existencial para o bem comum. O que existe aqui em nosso país, não é política, mas um atentado moral. Porém somos metidos em criar uma consciência política, e para isto, peço a bênção de meu confrade São Bernardino de Sena, um frade metido em política. No início de cada parágrafos seguintes colocarei um tema a ser pensado a partir de suas palavras.

CONTINUA...

FREI VITÓRIO MAZZUCO

Fonte: carismafranciscano.blogspot.com

29 abril 2018

Encontro de Formadores 2018 - Ano do Laicato - Cesar Kuzma




No dia 28/04/2018 o Regional Sudeste 2 RJ/ES promoveu o Encontro de Formadores 2018, durante a parte da manhã tivemos a grande alegria e uma profunda formação sobre o Ano do Laicato pelo teólogo leigo, doutor em Teologia e Professor de Teologia do Departamento de Teologia da PUC - Rio. Assessor da Comissão do Laicato da CNBB, Assessor da Conferência Episcopal Latino Americana – CELAM (Departamento de Vocações e Ministérios) e professor na Pontifícia Universidade Católica no Rio de Janeiro, Cesar Kuzma onde foram apresentados diversos aspectos sobre o perfil do leigo na Igreja e no mundo de hoje, palavras que promoveram momentos de reflexões e revisão da caminhada dos Franciscanos Seculares, agora é necessário o trabalho sobre esse ano dentro de nossas fraternidades locais.

A Ordem Franciscana Secular agradece a presença do irmão Cesar Kuzma e que possamos estar mais momentos juntos em próximas oportunidades. 

Abaixo o link da apresentação do Cesar Kuzma:


Após o almoço na alegria franciscana partilhado demos continuidade no Encontro de Formadores, onde foi apresentada uma revisão do ano de 2017 e o projeto de formação para o ano de 2018.

O Conselho Regional agradece a presença de todos irmãos e irmãs e continuemos trabalhar a formação de nossas fraternidades locais.

Saudações francisclarianas.

Conselho Regional

Abaixo fotos do Encontro: